Resenha - Ano 2016 - Volume 33 - Edição 101

Resenha: Managing ADHD in school: the best evidence-based methods for teachers


Resenha do livro: Barkley R. Managing ADHD in school: the best evidence-based methods for teachers. Eau Claire: PESI Publishing & Media; 2016.

 

A obra aqui apresentada, ainda somente em versão na língua inglesa, se configura no mais recente lançamento do psiquiatra e professor da Medical University of South Carolina, nos Estados Unidos da América, Dr. Russel A. Barkley, um dos mais renomados professores e estudioso do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) do mundo.

Dr. Barkley enfatiza nesse livro, ou melhor dizendo "manual", a importância dos métodos baseados em evidência para o tratamento psicopedagógico das crianças com TDAH, ou seja, discorre sobre seus apontamentos para necessidade da escola e para o comprometimento dos professores atuarem envolvendo metodologias com resultados de eficácia já experienciados e comprovados.

Nessa perspectiva, o livro com oitenta e nove páginas se divide em quinze estruturados capítulos, todos de fácil leitura e permeados de exemplos visuais, bem como condições muito aplicáveis no dia-a-dia. Há, também, no final do livro, um espaço inovador, elencando os mais novos sites da atualidade relacionados ao transtorno.

No primeiro capítulo, o autor descreve didaticamente os sintomas mais evidentes na criança e adolescente com TDAH, direcionando para déficits de persistência de metas, memória de trabalho, controle inibitório e planejamento e organização.

Dr. Barkley elenca, no segundo capítulo, os fatores que mais comprometem a vida escolar da criança e adolescente com TDAH, enfatizando que todos são gerenciados pelas funções executivas e autorregulação.

No terceiro capítulo. há uma explicação sucinta, mas não simplista, sobre as causas genéticas, bases neurológicas, etiologia e riscos precoces para o transtorno. Esse momento da leitura apresenta caraterísticas peculiares para a formação do professor sobre o conhecimento a respeito do TDAH.

Os próximos capítulos, quarto e quinto, respectivamente, apresentam os principais manejos para função executiva do TDAH e as dez regras específicas para a abordagem das crianças com esse transtorno em sala de aula. Uma atividade muito interessante se configura nas resoluções de problemas, assim é sugerido que as crianças o façam escrevendo as soluções em cartões. Como enfatiza o autor: "I am sure you can think of other ways to do this for a child ou teen with ADHD. Remember, it’s not the method, but the principle to emphasize here: make solving problems manual work an not just mental work".

A avaliação e problemas de comportamento são temas desenvolvidos no sexto e sétimo capítulo. O autor salienta a importância dos acompanhamentos do desempenho dos alunos com TDAH por meio de monitoramento e o mesmo fornece um exemplo de questionário com situações escolares que podem ser controladas.

O oitavo e nono capítulo fornecem exemplos para aplicação de técnicas para bom comportamento, bem como painéis para monitorar diariamente o comportamento da criança em sala.

Do décimo ao décimo quarto capítulo, o autor descreve regras em relação ao tempo, dicas de automonitoramento, exemplos de planos de transição para execução das tarefas no dia-a-dia, ou seja, sugere aos professores passos para minimizar a indisciplina dentro da sala de aula, reservando, para o último capítulo desse bloco, dicas de manejo somente para adolescentes com TDAH.

No décimo quinto capítulo, o Dr. Barkley discorre sobre o uso medicamentoso e seu emprego em pacientes com TDAH, discutindo os efeitos dos psicoestimulantes, sempre fazendo menção ao possível manejo das condutas em sala de aula. O livro termina com uma série de endereços eletrônicos atuais para o entendimento sobre o transtorno. Esses sites vão de departamentos de universidades, laboratórios de pesquisa a endereços de associações de pais e organizações americanas e canadenses.

Por fim, trata-se de uma obra cuja leitura vale para todos os que se interessam pela qualidade da educação e a querem caminhando em busca da excelência. O problema é que não nos basta somente conhecer o que se faz em outros países na busca pelo conhecimento e entendimento do TDAH. Falta ao Brasil, antes da adoção de qualquer medida, eleger a educação como prioridade nacional e, realmente, voltar seu olhar a essas crianças que necessitam de auxílio especial e um apoio para se desenvolverem plenamente na escola e na vida, tornando-se assim, de fato, cidadãos como lhes é de direito.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Doutora em Educação Especial, Pós-doutoranda, bolsista FAPESP, Pesquisadora Associada ao Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos e membro do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Infantil (CPEDi), São José do Rio Preto, SP, Brasil

 

Correspondência

Andréa Carla Machado
E-mail: decamachado@gmail.com

Artigo recebido: 12/05/2016
Aceito: 16/06/2016


Resenha realizada no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Infantil (CPEDi), São José do Rio Preto, SP, Brasil.