Em momentos como este, de comemorações e festividades, em que importantes eventos levam a público o desenvolvimento e os novos caminhos conquistados pela Psicopedagogia e pelas áreas que lhe são afins, a produção científica se torna ainda mais representativa dessa época de grande e efervescente crescimento.
Impossível negar o mundo hiperativo do século XXI, das ciências que cumprem
os mais fantásticos sonhos e prognósticos que se faziam do futuro, com seus
aspectos positivos e negativos, mas, de toda forma, surpreendentemente
transformadores da realidade e promotores de novos e cuidadosos olhares de
quem trabalha com o cérebro e a mente humana.
”Ensinantes” e “Aprendentes” são seres em mudança e seu encontro se faz e fará
cada vez mais a partir daquilo que distingue o humano das demais criaturas:
a capacidade de gerar novos conhecimentos.
Nessas ocasiões marcantes, em que unir saberes e dissolver fronteiras delimitantes
faz-se indispensável, trazemos a edição 82 da revista Psicopedagogia, com temas
variados, mas absolutamente interligados pela atualidade de seus conteúdos.
Apresentamos inicialmente seis artigos originais, nos quais os autores
apresentam suas mais recentes pesquisas. Abre esta edição, o trabalho de
Terezinha Ferreira da Silva Colombo e Carmen Lúcia Dias, a respeito do
“Desenvolvimento sociomoral no contexto escolar: uma experiência com crianças
do ciclo I - ensino fundamental”, seguido pela pesquisa “Aspectos da avaliação
neurológica em escolares disléxicos” (Maria Imaculada Merlin de Carvalho;
Vanda Maria Gimenes Gonçalves; Carlos Eduardo de Barros; Cíntia Alves
Salgado; Simone Aparecida Capellini; Sylvia Maria Ciasca). Complementando,
temos o prazer de publicar o artigo “Interrelação entre processamento fonológico
e compreensão leitora do 2° ao 4° ano do ensino fundamental: um estudo
longitudinal”, de Renata Mousinho e Jane Correa, seguido pelo artigo de
Natália Fusco e Simone Aparecida Capellini “Conhecimento das regras de
correspondência grafo-fonêmicas por escolares de 1ª a 4ª série com e sem
dificuldades de aprendizagem”.
“Dislexia e processamento sintático” (Luciana Mendes; Marcus Maia e Gastão
Coelho Gomes) acrescenta mais um estudo de importância à primeira parte desta edição, que se fecha com o trabalho de Oldemar Nunes e Vera Barros de
Oliveira “A memória de curto prazo do universitário e a prática de jogos: um
estudo comparativo”, que constitui uma pesquisa sobre um campo ainda pouco
visitado por nós.
Um relato de experiência, sempre bem vindo à nossa revista pelo interesse que
desperta nos leitores, está aqui representado com o trabalho de Beatriz Judith
Lima Scoz e Deborah Regina Motta R. Lucchini “Alunos com dificuldades na
escrita: produção de sentidos subjetivos na oficina de palavras”.
Em seguida, trazemos dois artigos especiais: “A intervenção psicopedagógica
institucional na formação reflexiva de educadores sociais” (Sarah Cazella e
Rinaldo Molina) e “Mediação escolar e inclusão: revisão, dicas e reflexões”
(Renata Mousinho; Evelin Schmid; Fernanda Mesquita; Juliana Pereira; Luciana
Mendes; Renata Sholl; Vanessa Nóbrega), de relevante atualidade.
Existe um particular interesse em artigos de revisão, por nortearem os leitores
dentro do estudo de determinados temas e suas peculiaridades. “Transtorno do
desenvolvimento da coordenação: revisão de literatura sobre os instrumentos de
avaliação” (Cintia Sicchieri Toniolo e Simone Aparecida Capellini) e “Aspectos
da relação cérebro-comportamento: histórico e considerações neuropsicológicas”
(Sônia das Dores Rodrigues e Sylvia Maria Ciasca) são dois excelentes exemplos. É de Michelle Cristina Carioca de Lima e Maria Cristina Natel, o artigo
”A Psicopedagogia e o Atendimento Pedagógico Hospitalar” e que junto à
resenha do livro de Sônia Moojen “A escrita ortográfica na escola e na clínica:
teoria, avaliação e tratamento”, escrito a quatro mãos por Maria Célia Malta
Campos e Rosa Maria Junqueira Scicchitano, nos dá uma especial forma de
encerrar esta edição, pelos laços ricos e profundos que Sônia Moojen, Rosa Maria
Junqueira Scicchitano, Maria Célia Malta Campos e Maria Cristina Natel têm
com a história da ABPp nestes seus 30 anos .
Parabéns, vida longa e útil à ABPp e a todos e todas que, com seu empenho,
trouxeram até 2010 esta Associação e a psicopedagogia brasileira e as tornaram
nacional e internacionalmente reconhecidas e valorizadas.
Maria Irene Maluf
Editora